quinta-feira, outubro 11, 2007

Por acaso, por um triz

Há quem diga que a maturidade é proporcional ao número de primaveras;
Eu digo que é proporcional ao aproveitamento das experiências.

terça-feira, outubro 09, 2007

Eu tenho medo do medo que as pessoas têm

Hoje de manhã vi o seguinte trecho escrito em algum lugar "...O conceito de certo e errado de vocês é muito diferente do meu...", refleti sobre isso, e cheguei a conclusão:
Realmente a sociedade nos impõem certos conceitos de "certo" e "errado", ou seja, a moral, e assim nos forçam a seguir um padrão que nem sempre é o certo. Todavia, muitos não sabem o que é certo e o que é errado pra-si-mesmos e acabam escrevendo frases do gênero. Claro que uma frase desta depende do contexto. Eu diria simplesmente que certo é tudo aquilo que você gostaria que os outros fizessem por/para você, e errado é tudo aquilo que você não gostaria que fizessem, sendo assim, fazer ao proximo aquilo que voce gostaria que fizessem a você, e evitar de fazer ao próximo aquilo que você nao gostaria que fizessem a você.

Isso me leva a seguinte máxima: Amar o próximo como a ti mesmo. Para os perdidos de plantão, acho que esse é um bom inicio.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Birobidjan

No século XIX, já se sabia...

"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar este questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria priveligiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o provo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo.

Quem duvida disso, não conhece a natureza humana"

Mikhail Bakunin

quinta-feira, setembro 13, 2007

Futuro Científico

Eu, como graduando de física, me preocupo seriamente com o futuro científico no Brasil. A historia não mente, quem conhece um pouco da vida de alguns inventores brasileiros saberá do que estou falando. E agora ainda querem acabar com a universidade publica, transformar tudo em centros tecnológicos, cursos tecnológicos, ou seja, acabar com a pesquisa e construção de conhecimento, estão apenas interessados em construir mão de obra qualificada para as empresas multinacionais que vem (ainda vem?) ao Brasil atrás de mão de obra barata (que não é tão barata).

Achei interessante esse trecho:

PALAVRAS DO SENADOR LÚCIO ALCÂNTARA EM DISCURSO PRONUNCIADO EM 26 DE JANEIRO DE 1999 ..........

......Constatamos assim, Srªs e Srs. Senadores, que a "dupla alienação" entre os setores industrial e científico-tecnológico não foi ainda superada, não obstante todos os esforços envidados nesse sentido. Podemos mesmo indagar se não há um forte fator cultural prejudicando a nossa performance na área tecnológica. É o raciocínio que me ocorre ao pensar sobre fatos históricos como a antecipação da descoberta do rádio pelo padre brasileiro Roberto Landell de Moura, realizando em 1893 uma transmissão de muito melhor qualidade do que a feita um ano após pelo italiano Marconi. Mesmo tendo registrado patentes no Brasil e nos Estados Unidos, o padre Moura desiste de seu invento, depois de inúmeras e infrutíferas tentativas de vê-lo reconhecido e apoiado pelas autoridades brasileiras. Não nos falta, portanto, talento inventivo, como poderiam prová-lo outros tantos brasileiros ilustres, tais como, para citar apenas mais um, o extraordinário Alberto Santos Dumont. Falta-nos, decerto, o desenvolvimento de um senso prático que permita valorizar e melhor aproveitar, econômica e socialmente, o talento de nossos inventores e pesquisadores.

E outro também, sobre o Landell de Moura :

“....em 1903, ao retornar ao Brasil após uma estadia de três anos nos Estados Unidos, ainda teve energia para enviar uma carta ao presidente da República, Rodrigues Alves. Solicitava dois navios da esquadra de guerra para demonstrar seus inventos que revolucionariam a comunicação (até mesmo para comunicação interplanetária, acertadamente sugeriu).

O assistente do presidente, no entanto, preferiu interpretá-lo como um "maluco" e o pedido foi negado. Na Itália, quando fez um pedido semelhante, Marconi teve toda a esquadra à disposição.

Landell só conseguiria realizar demonstrações públicas de seu invento com navios da Marinha em 1905 e mesmo assim não conseguiu financiamento privado ou governamental para continuar suas pesquisas nem para construir equipamentos de rádio em escala industrial .... “

É isso ai pessoal...

terça-feira, agosto 28, 2007

infinita highway

Florianópolis - Brasil:
Bom dia caros desbravadores do mar eletrônico. Este post é só um compartilhamento do meu pensamento de hoje de manhã cedo. (acho que é o primeiro post com cara de post)
Lá estava eu, indo para o meu trabalho, alegre e sorridente, até o momento em que adentrei à avenida Beira-mar Norte. É uma avenida larga, beirando o mar (o nome já diz né?) com três pistas de rolamento em cada sentido, tem uma velocidade máxima de 22,2 m/s. Como uma avenida com mais de uma pista de rolamento, ela é divida em pista para veículos em velocidade alta, e pista para veículos em velocidade baixa.

Bem, o que me deixou bravo, foi, q eu estava na pista para veículos rápidos (esquerda), e me deparei com uma senhorita a minha frente (pista da esquerda), dirigindo um Ford Focus (que não é um carro fraco) a 60 Km/h (devagar). Isso me deixou frustrado, pois ela deveria ter a consciência que se gosta de andar devagar, deveria estar na pista da direita, deste modo ela estava travando o fluxo, forçando os motoristas a ultrapassar pela direita, o que também não é correto. Fiquei P da vida, tive vontade de ter um caminhão, pra passar por cima. Bem, mas como não tinha um caminhão eu não passei por cima, não buzinei e nem fiz sinais obscenos, apenas a troquei de pista e ultrapassei.

Enfim, esse é só um exemplo das “barberisses” que acontece no transito. Se a fiscalização no Brasil fosse executar o que ta escrito em uns papeizinhos aí... Metade dos condutores estariam impossibilitados de conduzir um veiculo.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Limite singular-universal

Existem muitas variáveis, variáveis que com a minha ignorância (pouca experiência de vida etc. e tal) não consigo levar em conta (talvez) , na minha visão macroscópica de quantidade-de-materia brasileira. Sendo assim, talvez o que esteja escrevendo seja uma tolice.

Vi poucas melhorias no Brasil nos últimos oito anos. Vi mais coisas-que-a-gente-faz-no-banheiro do que antigamente se via. Talvez porque antes não houvera alguém para mostrar, ou porque eu não enxergava.

Eu me pergunto, onde estão os homens do tempo da legalidade, "onde estão os caras que diziam que a guerra ia acabar”? Estão no poder! Os mesmo que deram voz ao povo, hoje silenciam e entorpecem a quantidade-de-materia brasileira, com suas desculpas esfarrapadas e métodos de faz de conta. A quantidade-de-materia foi levada (será que foi?) a não interessar-se por melhorias coletivas. Esquecem (ou nunca souberam) que sem pequenas mudanças (no eu) não há transformações cosmopolitanas. Pensam que as coisas se resolvem por-si-mesmas, acostumaram-se com o jeitinho brasileiro de viver. Jeitinho medíocre de ser.

Antigamente as grandes manifestações eram promovidas por indivíduos de "esquerda", hoje a "esquerda" está no poder, seguido de prostitutas de direita. Logo o povo perdeu o norte. O pseudo-norte que tinha, ou norte viúva-negra. Infelizmente, como diz o ditado, cada povo tem o governo que merece.

Estude mais, tenha mais força de vontade, deixe de olhar só pro seu umbigo, olhe pra dentro que você verá o que tem fora, quantidade-de-materia brasileira. (eu sei que isso nem sempre é possível, e que se isso bastasse, talvez fosse menos difícil.)

O que falta, são pessoas que desconheçam o limite singular-universal em prol da humanidade.

quarta-feira, agosto 15, 2007

E é tão facil esquecer q a coisa toda ta errada...

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, Além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.

Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:

-Tio, dá um trocado?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.

- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?

Percebo que o menino tinha ficado ali.

- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.

- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.

Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:

- Tio, o que está fazendo?
- Estou lendo uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.

Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:

- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio, você tem Internet?
- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet, tio?
- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual, tio?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase
como queríamos que fosse.

- Legal isso. Gostei!
- Mocinho, você entendeu o que é virtual?
- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.
- Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?

Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'.

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias,
enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!

Autor Desconhecido.

terça-feira, junho 19, 2007

o deserto continua lá

Estava pensando, como a "modernidade" nos trouxe "praticidade". Enlatados, fast-food, geração coca-cola - tudo pra fazer você viver melhor e mais feliz: "Pois nos sabemos o que você precisa" - (seek V for Vendetta).
Todos nós sabemos q a geração-coca-cola nos legou um maravilhoso mundo (brasil), com pessoas sábias, neh? Eu sou o mais burro de todos. (mas eles foram úteis - alguns - nos tempos da legalidade).
Agora é a vez (mto clichê) dos jovens senhores PANÇA-DE-BISCOITO. Sim, é triste, "nossa JOVEM elite burra se empanturra de biscoito fino"
Eles gritam: - Usa-me, pq usar-te-ei! (ah! esses PANÇA-DE-BISCOITO) Eles nao mudaram de valores (não transvalorizaram), eles perderam os valores.
Sim, usar, ser usado, e usar, a praticidade do ego. Os PANÇA-DE-BISCOITO são como um velório bonito. Pelo menos no velório, há amor. Amor de PANÇA-DE-BISCOITO é algo q ainda não consigo definir. "Amar" - Eu te amo, tu me amas, nós nos amamos - mas só até semana que vem. Não conhecem o amor, por isso dizem que amam. PANÇA-DE-BISCOITO não ama nem a si mesmo, ele tem apego a si mesmo (egoísta?) - Na balada eu digo q te amo, amar é uma vibe!
Os pais dos PANÇA-DE-BISCOITO são os responsáveis ? a parte má da sociedade ? a falta de educação? como? se estudam nos melhores colégios ?
Mas sim, é a falta de educação, a educação moral! O auto-respeito, o respeitar-a-si-mesmo (pra não falar do respeitar o próximo).
Amar é (talvez) renegar-a-si-mesmo a fim de aceitar o próximo. Entender q igualdade e a liberdade são sinônimos de solidariedade.
Quem está certo ? eu ? acho que não! Não leva a serio o q eu escrevi aqui e continua com sua vida. Eu sou talvez o menos certo entre os errados.
Tenho a impressão que escrevi muito e nao disse o q eu queria dizer.


quinta-feira, maio 24, 2007

O Eterno Retorno

Ontem deixei cair 4 (talvez fossem 5) gotas de leite no chão, um leite branco, integral, cheio de gordura, processado usando o sistema UHT (é.. o moderno UHT), gotas sem graça, mórbidas gotas de leite. Quando as vi, sobre o piso marrom (meio marrom) da minha cozinha, reparei nas linhas perpendiculares (e paralelas) dele, vi como aqueles pontos em conjunto com as linhas formadas pelo piso, pareciam uma equação exponencial (logarítmica talvez, depende do referencial). Por que fiz essa analogia ? (foi automatico) Bem, isso não importa, eu esquentei o resto do leite e fiz um chocolate quente.

obs.: não sei porque escolhi esse titulo, ainda não entendo o eterno retorno (talvez eu não goste dele, e nem do autor)

quinta-feira, abril 05, 2007

Nao sermos literais, as vezes faz nossa beleza

ainda ando pelas mesmas ruas
a cidade cresce e tudo fica cada vez menor
agora eu sei (sempre soube) que a vida não é um jogo
de palavras cruzadas
onde tudo se encaixa
?o que será que ela quis dizer?
5 letras, começando com a letra A

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O telhado

A sim, uma manhã gelada (no litoral ? em época de carnaval ?) é o aquecimento global. Pressão baixa, ausência de precipitação, umidade relativa por volta de 100%, sem vento, poucas nuvens e nuvens baixas... Assim fica frio, vejo nevoeiros... daqui a pouco começa a gear - coisa q eu não descarto para daqui alguns anos.

sábado, fevereiro 10, 2007

Parece que foi ontem, parece que chovia

Sabe aquela frase: "faça o q digo, nao faça o q eu faço", pois entao, descobri que tenho muitos "amigos" que fazem parte dessa filosofia.
Eu nao deveria estar supreso com isso. Mas estou.
Mas nem tudo é martírio. Ja nao vejo diferença entre a crença e os fiéis.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Nas portas da percepção

Por causa da discrepância no contato com a realidade o extrovertido acabará acreditando que o introvertido é egoísta, vaidoso ou arrogante ideológico. Parecerá ao extrovertido que o introvertido age sob a influencia de idéias, conceitos, valores éticos, morais, culturais ou mesmo poéticos. O introvertido, devido a sua maneira determinada, normatizadora, francamente generalizadora e, tendo opiniões bem definidas sobre as coisas, será capaz de despertar ainda mais o preconceito dos extrovertidos. A determinação e rigidez do juízo, comuns ao introvertido em relação a tudo que for objetivamente dado, costumam dar a impressão de um forte egocentrismo.

Mas na verdade, creio q sou uma mistura de introvertido e extrovertido, nao existe verdade absoluta (no contexto)... Compreende???

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

O certo é que eu dancei sem querer dançar

Voltando a escrever aqui, depois de alguns meses afastasdo. Eu tive vontade de voltar, fazer a coisa certa, aqui é meu lugar.. hehehehe essa é a ideia.

Bem, passei a virada de ano já de ferias, e foi muito bom. Eu fiz mta festa... estava precisando.. mas agora é hora de voltar, refletir e planejar metas para esse novo ano. Tento não pensar em politica, e algumas coiasas q me deixavam em duvida, na verdade, tento pensar apenas em mim. To mudando.. (a começar pelo meu habito alimentar..) Minha forma de ver, pessoas, coisas e tudo mais, está um pouco mudada, espero q pra melhor. Bem, se durante esse ano eu conseguir escrever aqui regularmente, jah eh um progresso..

Pergunte ao pó, desça ao porão

Um texto de Arnaldo Jabour.

Está na moda - muitas mulheres ficam em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pêlos pubianos nos salões de beleza. Ficam penduradas em paus-de-arara e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, como um jardinzinho estreito, a vereda indicativa de um desejo inofensivo e não mais as agressivas florestas que podem nos assustar. Parecem uns bigodinhos verticais que (oh, céus!...) me fazem pensar em... Hitler.

Silicone, pêlos dourados, bumbuns malhados, tudo para agradar aos consumidores do mercado sexual. Olho as revistas povoadas de mulheres lindas... e sinto uma leve depressão, me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Vejo que no Brasil o feminismo se vulgarizou numa liberdade de "objetos", produziu mulheres livres como coisas, livres como produtos perfeitos para o prazer. A concorrência é grande para um mercado com poucos consumidores, pois há muito mais mulher que homens na praça (e-mails indignados virão...) Talvez este artigo seja moralista, talvez as uvas da inveja estejam verdes, mas eu olho as revistas de mulher nua e só vejo paisagens; não vejo pessoas com defeitos, medos. Só vejo meninas oferecendo a doçura total, todas competindo no mercado, em contorções eróticas desesperadas porque não têm mais o que mostrar. Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, mucosas, vagina, ânus.

O que falta? Órgãos internos? Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: "Venham... eu estou sempre pronta, sempre alegre, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance!..."

Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura e todas ostentam uma falsa tesão devoradora. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem.

Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com chateações os homens que as consomem.

A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele.

Mas, que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram ser odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiriam depois de suas Ferraris, seus Armanis, ouros e sucesso; elas são o coroamento de um narcisismo yuppie, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens?

Outro dia vi a modelo Daniela Cicarelli na TV. Vocês já viram essa moça? É a coisa mais linda do mundo, tem uma esfuziante simpatia, risonha, democrática, perfeita, a imensa boca rósea, os "olhos de esmeralda nadando em leite" (quem escreveu isso?), cabelos de ouro seco, seios bíblicos, como uma imensa flor de prazeres. Olho-a de minha solidão e me pergunto: "Onde está a Daniela no meio desses tesouros perfeitos? Onde está ela?" Ela deve ficar perplexa diante da própria beleza, aprisionada em seu destino de sedutora, talvez até com um vago ciúme de seu próprio corpo. Daniela é tão linda que tenho vontade de dizer: "Seja feia..."

Queremos percorrer as mulheres virtuais, visitá-las, mas, como conversar com elas? Com quem? Onde estão elas? Tanta oferta sexual me angustia, me dá a certeza de que nosso sexo é programado por outros, por indústrias masturbatórias, nos provocando desejo para me vender satisfação. É pela dificuldade de realizar esse sonho masculino que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas mas, se elas pudessem expressar seus reais desejos, não estariam nas revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos. Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namoradas de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia - foi uma decepção quando a Tiazinha se revelou ótima dona de casa na Casa dos Artistas, limpando tudo numa faxina compulsiva.

Infelizmente, é impossível tê-las, porque, na tecnologia da gostosura, elas se artificializam cada vez mais, como carros de luxo se aperfeiçoando a cada ano. A cada mutação erótica, elas ficam mais inatingíveis no mundo real. Por isso, com a crise econômica, o grande sucesso são as meninas belas e saradas, enchendo os sites eróticos da internet ou nas saunas relax for men, essa réplica moderna dos haréns árabes. Essas lindas mulheres são pagas para não existir, pagas para serem um sonho impalpável, pagas para serem uma ilusão. Vi um anúncio de boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres que não existam... O anúncio tinha o slogan em baixo: "She needs no food nor stupid conversation." Essa é a utopia masculina: satisfação plena sem sofrimento ou realidade.

A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso "mercado da liberdade". É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Será que fui apenas barrado do baile?