segunda-feira, junho 23, 2008

Carpe Diem

Este final de semana tive o prazer de conhecer um personagem muito legal, um sujeito chamado Mario Sergio Cortella. Minha namorada apresentou-lhe à mim através de um vídeo no youtube, assistimos à palestra - Mario Sergio Cortella - Não nascemos prontos - extremamente recomendável, é valido contar também que li um livro chamado Pedagogia da Autonomia (Paulo Freire), muito bom por sinal. Após isso, juntando umas idéias pré-concebidas, umas dali outras daqui, terminei de ler o livro e finalmente ao assistir o vídeo não tive mais dúvidas, a juventude brasileira está problemática. Sim, ela não é problemática, ela está problemática.
Há um ano eu escrevi aqui neste blog à respeito de algo parecido, sobre como diz o caro amigo Cortella, a
juventude miojo. Naquela época eu não tinha certeza seu eu estava certo, talvez eu estivesse sendo careta por não seguir o ritimo da juventude que faço parte, mesmo assim eu fui à luta, eu quiz pagar pra ver, segui o meu norte e hoje eu tenho certeza que sempre estive correto. Sabe, eu vejo muita gente vestindo a camiseta Carpe Diem & Cia, realmente aproveitando só o momento, o que é desconhecido desse povo é o fato de Carpe Diem ter várias acepções.
Um exemplo é o conceito de Carpe Diem para Ricardo Reis (Fernando Pessoa) e para Horácio, não irei elucidar a diferença entre esses dois, mas segundo Cortello, este termo era amplamente usado no declínio do império Romano, já que não restava mais nada a se fazer, sem esperanças de um futuro o negócio era viver o dia como se fosse o último.
Semana passada meus colegas de faculdade e eu estávamos conversando sobre os alunos de hoje (ensino médio), alguns dos meus colegas têm alguns anos de experiência em sala de aula e dizem que a coisa está preta, tanto em colégios particulares quanto em públicos, e a falta de interesse é genérica, a juventude vive o Carpe Diem e eu penso sobre o que será quando o mundo cobrar-lhes experiência, não é a toa que o número de suicídios tem aumentado entre jovens.

Bem, vejam o vídeo, é Muito bom!! Para qualquer idade!!!

9 comentários:

Fernando S. Trevisan disse...

Oi Léo,

Você fala de diversas coisas no seu texto, então vou responder por partes:

1. A noção de que as coisas "estão" feias em oposição a uma noção de que elas já estiveram boas/poderiam estar boas.

Discordo. As coisas sempre estiveram feias. As pessoas não eram estudiosas/esforçadas por que queriam, elas eram assim pois eram obrigadas. E ainda naquela época, onde você se esforçar nos estudos poderia ser realmente um fator de sobrevivência, haviam os vadios e desatentos do "carpe diem" como você citou.

Então, não acho que seja algo da nossa geração, da nossa juventude. A única diferença agora é que você pode ser muito menos esforçado e ainda assim ter espaço para ao menos sobreviver, enquanto que antes era "sem dor, sem retorno".

2. O Carpe Diem como algo ruim

Na realidade, é o entendimento incompleto (como de costume) que as pessoas fazem do termo que torna sua aplicação ruim.

Se o Carpe Diem fosse realmente praticado, as pessoas fariam um uso bem melhor da vida. A idéia dele é que o tempo é curto e você tem que aproveitar suas oportunidades.

Ou seja, se você está na escola, aproveite para estudar e aprender MESMO; se está trabalhando, tente fazer o melhor trabalho possível e evoluir/aprender o máximo possível; se está em um relacionamento, que ele seja excelente para os dois, que seja bom; e assim por diante.

Mas, geralmente, as pessoas entendem o "Carpe Diem" como "faça muita zona, mande se fuder todo o resto, pq afinal, carpe diem!"

E aí é o "ponto de contato" onde eu e você concordamos... as pessoas não entendem que, para ter um carpe diem de verdade, para poder "zonear" com tranqüilidade, é preciso ter carpe diem em tudo, não só na bagunça.

Como diria Renato Russo - provavelmente citando alguém que eu não sei - "disciplina é liberdade".

Eu, até hoje, não consigo viver isso. Mas que é verdade, é. ;)

[ ]'s

Léo disse...

Opa! Ótimo comentário Trevisan. obrigado mesmo!!! Concordo com você quanto à definição de Carpe Diem, é muito semelhante ao que penso! Mas só lembrando que etimologicamente “Carpe Diem” surgiu como forma de expressão para o declínio da civilização romana, exatamente com o sentido de que não restava mais nada, a não ser aproveitar o presente como se fosse o último momento de vida, pois o futuro era incerto (vide Horácio). Claro que hoje em dia ela tem um “outro significado”. Mas não quis dizer que ele é algo ruim, mas sim o seu entendimento é equivocado e de fato, a etimologia da palavra.
Quanto à “estão” feias, não foi em oposição a que elas estiveram boas ou poderiram estar boas, e sim para dizer que é um “estado” que pode ser mudado. Pois ao dizer “é” eu estaria condenando a juventude a um estado de bestialidade-eterna, no entanto eu digo “está”, no sentido de que é um estado ou nível que pode ser alterado. Concordo na parte de que as pessoas eram de certa forma, “obrigadas” a serem esforçadas. Nas décadas passadas realmente havia um autoritarismo por “parte dos pais e sociedade” se assim posso dizer, mas mesmo assim sempre foi possível escolher o seu próprio caminho. Vale lembrar que desde a época dos Filósofos gregos, onde os que estudavam – e naquela época filosofia era a arte suprema – eram os vagabundos, cidadãos que eram desocupados e ricos, ou seja, podiam “escolher” entre estudar ou não, por isso acho que sempre houve escolhas, e essas escolhas da juventude estão horríveis hoje. E eu digo isso pela educação que vejo nas escolas e a troca de experiências que tenho tido com professores. Se deseja ver a saúde de uma população, entre numa sala de aula, tanto faz se é colégio público ou particular, a sala de aula sempre foi o reflexo da sociedade.
[],s

Fernando S. Trevisan disse...

Léo, só uma coisa, pelo que pude ler/pesquisar, Horácio viveu e morreu antes de Cristo. O Auge do Império Romano aconteceu no Século II e sua queda, dois séculos após. Assim, não é correto dizer que ele viveu na decadência do Império Romano, ok? E isso tira de contexto toda a afirmação do guru que você e a pop.sister viram, bem como parte da tua argumentação.

Abs!

Léo disse...

opa!!! sim sim! vc esta muito correto. Mas eu nao disse que ele viveu na época da decadência romana.
Eu mencionei ele, por ele ser um dos precursores do carpe diem, Epicurista.
abraços :D

Fernando S. Trevisan disse...

Você tem razão! Eu que relacionei alhos com bugalhos e entendi que você dizia que o Horácio tinha cunhado o termo na decadência do Império Romano. Pff! Preciso prestar mais atenção :)

[ ]'s!

Léo disse...

q nada... talvez eu tenha exposto o "vide horácio" mal... quiz relacionar ele com o significado carpe diem. Nao que ele tenha criado essa expressão, mas sim o conceito.

[],s

Marcus Simas disse...

Gostei de ler estes comentários heehhe ... uma aula realmente ... e ainda conheço os dois autores hhe !! :)

Ótimo post Léo ... e comentários também !!

Abraços !!!

Alex Sander disse...

Um pouco tarde pra me intrometer, eu acho,mas mesmo assim, quero registrar umas idéias...Primeiro agradecer ao Leonardo essa aula sobre o termo "Carpe Diem".De fato, não sabia que ele tinha essa dimensão dos tempos romanos e coisa e tal. Mas o que quero comentar mesmo é esse tema sobre a juventude. Eu teria um pouco mais de cautela em apenas "culpabilizar" os jovens pela intença falta de interesse por aquilo que achamos relevantes ou produtivos para o "futuro". O que eu vejo são duas possibilidades de escolhas dos jovens: uma é um "emburrecimento" e outra um "aborrecimento" com os supostos valores "verdadeiros". Como concordaria Nietzsche, a vida tem uma dimensão trágica, causada pela "morte dos valores absolutos" (Morte de Deus, para ele), que deixa o sujeito sem fundamento e com a possibilidade de tomar a vida pela suas próprias mãos. No entanto, esse espaço (que era de Deus) foi tomado muito bem (infelizmente) pelo capitalismo e seus valores. E o imperativo não "viva o tempo", disfarçadamente é "compre, curta, gaste, me mantenha vivo o mercado". E ai o capitalismo vive criando os "emburrecidos", o trágico é que muitos não sabem que são, e o mais trágico ainda é os que assumem essa burrice com orgullho. Vivem um embrutecimento da burrice de forma deliberada e "feliz". Mas o capitalismo não é vitorioso totalmente, pois existem ai uma camada altamente "aborrecida" com isso. Seu aborrecimento cria indignação e formas alternativas de dizer "não" a maquinaria eburrecedora do capital (Faustões, Silvios Santos, coisa e coisass). Lamento que a maioria dos jovens não possam fazer essa reflexão, que talvez não seja a mais apropriada. E talvez, não sendo totalmente cético e pessimista, mas admitir que mesmo não existindo uma única percepção compreensiva da multiplicidade da vida, estamos ai, façamos nossa parte!!!Um abraço!! Alex

Juliane Soska disse...

oi Léo,

obrigada pela visita.
Pelo título já percebi que tu é realmente fã, assim como eu.
Li rapidinho alguns textos e gostei.
Vou te adicionar.
Abraços,