A aposta que faço é no talento, no trabalho, no senso de missão e na possiblidade de fracasso. Talvez, até, na necessidade do fracasso. Nestes tempo tão casuais, ninguém quer se comprometer com uma missão. Muito menos inventar, construir, sua própria missão. Fica um acordo tácito no ar, de que nada vale muito à pena. Falta de ambição virou um salvo conduto. É filminho pra lá, musiquinha pra cá, livrinho pra lá, piadinha pra todo lado. Acorrentados ao que temos para o momento, transcedência virou palavrão. Já que a vida é uma só, que seja só uma bobagem. Já que a queda é inevitável, que seja da menor altura possível. Uma boa desculpa pra rastejar.
Texto extraído do livro Mapas do Acaso, de Humberto Gessinger, pg 90.
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